Tratamento da Diástase Abdominal
- Daniel Paulino Santana
- 29 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 16 de out. de 2025
Nem todas as pessoas com diástase precisam de cirurgia. Em muitos casos, exercícios específicos para fortalecer o "core" abdominal, supervisionados por um fisioterapeuta ou personal trainer especializado, podem ajudar a fortalecer e reduzir a separação muscular e aliviar os sintomas. A fisioterapia é frequentemente a primeira abordagem, com exercícios voltados para o alinhamento correto e o fortalecimento dos músculos.

Para casos mais graves onde a diástase provoca dor significativa ou afeta a qualidade de vida, ou nos casos de resposta insatisfatória às medidas iniciais de fortalecimento, a cirurgia pode ser recomendada. O tipo e a extensão da díastase também vão influenciar na definição do tratamento.
Cirurgia para Diástase Abdominal
O principal objetivo da cirurgia para corrigir a diástase abdominal é restaurar a integridade funcional e estética da parede abdominal. A cirurgia une os músculos retos abdominais, que estão afastados. Essa união é feita por meio de técnicas de sutura que aproximam os dois lados do músculo, restaurando a linha alba (a faixa de tecido conjuntivo que conecta os músculos retos ao longo do centro do abdômen).
Objetivos Específicos da Cirurgia
Correção Funcional:
Reestabelecer a estabilidade do core: Os músculos abdominais trabalham em conjunto com os músculos das costas para sustentar a coluna vertebral. A diástase pode causar instabilidade e dores na região lombar, que a cirurgia ajuda a aliviar.
Melhorar a respiração e postura: O alinhamento muscular contribui para uma melhor capacidade respiratória e para a postura ereta.
Reduzir o risco de hérnias: O afastamento dos músculos pode predispor ao surgimento de hérnias (umbilicais ou epigástricas). A cirurgia previne esse risco.
Reparação Estética:
Redução do abaulamento abdominal: O afastamento muscular muitas vezes causa um aspecto de "barriga saliente", mesmo em pessoas magras. A correção proporciona um abdômen mais plano.
Remoção de excesso de pele e gordura: Em casos como pós-gestação ou perda de peso significativa, o excesso de pele também é tratado para melhorar o contorno corporal.
Melhora na autoestima: Além da função física, o procedimento contribui para a confiança e bem-estar do paciente.
Prevenção de Sintomas Associados:
Alívio de dores nas costas: A diástase cria uma sobrecarga na musculatura lombar, que pode levar a dores crônicas.
Diminuição do desconforto gastrointestinal: Em alguns casos, o desalinhamento muscular pode estar associado a sintomas como inchaço abdominal.
Modalidades de cirurgia para correção de diástase

Existem diferentes opções cirúrgicas para corrigir a diástase abdominal, e a escolha do procedimento depende da gravidade da diástase, da presença de excesso de pele e gordura, e das necessidades estéticas e funcionais do paciente. Abaixo estão as principais técnicas utilizadas:
Abdominoplastia Tradicional
A cirurgia habitual para tratar a diástase é chamada de abdominoplastia ou plástica abdominal. É o método mais comum para corrigir diástase associada a excesso de pele e gordura abdominal. É um procedimento cirúrgico em que o cirurgião plástico remove o excesso de pele e gordura do abdome e sutura os músculos retos do abdome para reduzir a separação e fortalecer a parede abdominal.
A incisão é feita na parte inferior do abdômen (linha do biquíni), os músculos retos abdominais são aproximados e suturados (plicatura) e o excesso de pele e gordura é removido. O umbigo é reposicionado, se necessário.
Esta modalidade cirúrgica é mais indicada na diástase moderada a grave com flacidez e excesso de pele, como na imagem abaixo. Muita indicada para pacientes pós-gestação que ganharam e tiveram grande perda de peso.

Principais Inconvenientes da Abdominoplastia Tradicional
Cicatriz Visível: a incisão geralmente é longa e feita horizontalmente na parte inferior do abdômen (linha do biquíni). Embora fique posicionada de forma discreta para ser coberta por roupas íntimas ou de banho, a cicatriz pode ser extensa e mais visível em pessoas com pele que cicatriza com dificuldade (tendência a quelóides ou cicatrizes hipertróficas).

Período de Recuperação Prolongado: a recuperação completa pode levar de 6 a 8 semanas. Restrição mais prolongada de atividades físicas intensas e levantamento de peso. Há necessidade de usar cinta modeladora continuamente por várias semanas.
Risco de Complicações Pós-operatórias: como em qualquer cirurgia, existem riscos inerentes ao procedimento. São exemplos de complicações: seroma (acúmulo de líquido na região operada, que pode exigir drenagem), hematomas (acúmulo de sangue sob a pele), infecções, necrose do retalho de pele com necessidade de reintervenções, alterações na sensibilidade (dormência ou formigamento na região operada, que pode ser temporário ou permanente)
Maior risco de recidiva de hérnias: a correção dos defeitos da parede abdominal por um não especialista em cirurgia de parede abdominal aumenta os riscos de retorno das hérnias. Na abdominiplastia convencional é feita apenas a aproximação da musculatura sem um devido reparo das hérnias e sem a utilização de tela de reforço.
Pacientes sem pele excessiva que desejam apenas a correção do defeito, sem grandes incisões, com recupreção precoce e, principalmente, casos em que há hérnia associada, a correção por dentro do abdome passou a ser uma opção com a chegada da plataforma robótica.





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